É preciso ter em mente que existem vinhos que estão prontos para
serem bebidos logo após a sua elaboração, e outros que , por
evoluirem com o passar do tempo, devem ser conservados para
demonstrarem todo o seu potencial : os "vinhos de guarda". Os
melhores, de maior estrutura, chegam a durar até 50 anos.
A grande maioria dos vinhos consumidos enquadra-se na primeira
categoria, e são os brancos , os rosés e os tintos leves. Assim,
os Beaujolais, os Bardolinos, os Valpolicellas (todos tintos
leves), assim como os vinhos nacionais de modo geral, devem ser
bebidos na sua juventude, quando expressam todo o seu frescor,
pois só perdem atrativos quando guardados.
É , quando muito, uma meia verdade dizer que "quanto mais velho,
melhor o vinho", pois a expressão só é válida para uma pequena
parcela deles, como os grandes Bordeaux, os Barolos, os
Brunellos, por exemplo, todos passíveis de amadurecerem e
envelhecerem bem.
O
amadurecimento ou afinamento se dá durante as
manipulações que o vinho sofre ainda na adega: trasfegas,
estágio em tonéis e barricas de carvalho. O vinho será afinado,
tornando-se mais macio, à medida em vai retirando da madeira os
taninos e sofrendo leve oxidação através da entrada do ar pelos
poros do carvalho. Várias alterações químicas se processam neste
estágio, a maioria delas ligada à oxidação. Esses fenômenos
foram estudados em profundidade, e só então entendidos, graças
às pesquisas de Louis Pasteur, quando, por volta de 1863,
Napoleão III pediu-lhe que estudasse o assunto.

Sendo o vinho um ser vivo, ele passará para uma segunda fase, a
do
envelhecimento, após ser engarrafado. Praticamente,
não existe mais contato com o oxigênio, mas o vinho
experimentará outros processos químicos que farão com que seus
aromas e sabores ganhem maior complexidade e riqueza. Nenhum
conceito equivale ao termo francês
vins de garde, vinhos
que precisam ser guardados para atingirem seu potencial máximo
de qualidade. São, logicamente, vinhos de grande tradição e
preços altos, que se justificam por sua longevidade.