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NA MÍDIA


REPORTAGEMA Mulher
do Vinho Presidente da maior confraria feminina virtual,
Maria Lúcia conversa com o Guia da Semana sobre o mundo de
Baco
Por Rafael Andrade Jardim

O insight foi há exatos cinco anos. No mês de agosto de
2003, Maria, que acabara de se aposentar, decidiu fazer
um curso básico sobre vinhos e não parou mais. Criou a
confraria, convidou as colegas, que foram convidando
outras e mais outras. Agora, dedica algumas horas de seu
dia para sanar dúvidas das confreiras (assim são
chamadas as integrantes) e organizar os encontros reais
entre elas.
Apesar de não aceitar homens em seu clube, Maria Lúcia
topou uma "happy hour" com o repórter do Guia da Semana.
No início do bate-papo, que só poderia ser virtual, ela
fala sobre vinhos nacionais, a barreira que é a
elitização da bebida e sobre o mercado em geral.
No fim da degustação, você confere uma harmonizada
conversa sobre o Amigas do Vinho e as metas dela para o
seu "clube da luluzinha".
***
É possível, em um futuro próximo, alcançarmos o patamar
de outros países sul-americanos, como Chile e Argentina?
Temos excelentes vinhos. Nossos espumantes são
premiados. Existe uma grande perspectiva nos vinhos
nacionais. Eu aposto numa melhor produção e no maior
consumo, pois conheço bons vinhos nacionais. Várias
vinícolas nacionais investiram em tecnologia e em ótimos
enólogos. Mas não podemos negar a questão do terroir. O
Vale dos Vinhedos é um grande exemplo.
No Brasil, consome-se muito menos vinho do que em outros
países próximos, como o Chile, por exemplo. Uma das
explicações é cultural, já que a cerveja ainda é a
bebida preferida por aqui. Você acredita que mais
adiante o vinho pode roubar um pouco deste mercado
dominado pela cerveja?
Realmente é uma questão cultural. Mas o consumo per
capita aumentou, principalmente no cenário feminino.
Penso que o marketing do vinho ainda é pouco explorado.
Existe um glamour e elitismo na consumação do vinho. É
necessário desmistificar o universo do vinho.
Além do fator cultural, o preço dos vinhos também é a
uma barreira para o aumento do consumo e sua
popularização?
A maior barreira é a falta de conhecimento e a
elitização do vinho. Quando você elitiza, você afasta o
apreciador, o enófilo. Alguns supermercados estão
promovendo degustações e cursos. É uma maneira sábia de
aproximar o consumidor do vinho. O vinho é simples, e
sua divulgação deve ter esse perfil. Degustações
faraônicas e direcionadas a uma pequena parcela do
consumidor nunca vão aumentar o consumo e popularizar o
vinho.
Vale a pena pagar valores tão altos por um vinho como o
Romanéé-conti, que chega a custar cerca de U$$ 10 mil?
Existem no mercado vinhos excelentes a preço moderado.
Mas se o consumidor quer degustar o Romaneé-conti e
pode. Por que não?
Entender de vinhos virou sinônimo de status?
Não. A maioria do consumidor do vinho se interessa por
uma bebida saudável, eclética e de origem milenar.
De onde vêm os melhores vinhos?
Sem dúvida, os vinhos do Velho Mundo. Sou apaixonada
pelos vinhos portugueses. Entretanto, meu consumo maior
é o vinho nacional. Os vinhos do Vale do Vinhedo são
excelentes. Também aprecio os vinhos do Vale do São
Francisco.
As avaliações dos críticos ainda são as melhores
referências para quem quer comprar um bom vinho?
É claro que pesa a avaliação de um grande conhecedor.
Mas o melhor vinho é aquele que você gostou, mesmo que
não tenha sido premiado ou indicado.

Vinho com elas
Foi-se o tempo em que a mulher mal sabia a diferença entre um dry
martini e um vinho branco seco
Vera Fiori - O Estado de S. Paulo

Divulgação
Com sede no Rio, suas confreiras preferem vinho a
cerveja
SÃO PAULO - Bem antes de a mulherada invadir os cursos de vinhos,
uma senhora, digamos, não muito formosa, deixou rastros borbulhantes
em Reims, região na França onde são produzidos os melhores champanhes
do mundo. Nicole-Barbe Ponsardin, a poderosa Veuve Clicquot, perdeu o
marido aos 27 anos e assumiu as rédeas da cave da família, invadindo
um métier eminentemente masculino. De lá para cá, o interesse feminino
só vem crescendo e, no Brasil, não é diferente.
Presença maciça nos cursos e degustações, a mulher quebra mais um
paradigma, seduzida pela cultura do vinho. Um bom exemplo é a
Confraria Amigas do Vinho, com sede no Rio, território da cerveja. "Se
chope fosse gostoso, não precisaria de tira-gosto", provoca Maria
Lúcia Rodrigues, presidente do clã. Segundo ela, a confraria surgiu
informalmente:
- Fiz um curso de vinhos e, depois, passei a reunir as amigas para
degustar a bebida. Elas foram aumentando e, hoje, a confraria tem 8
mil mulheres, e é filiada à International Women in Wine Association. A
sede é no Rio, mas há seções em vários estados.
O perfil das confreiras é eclético (donas de casa, jornalistas,
juízas, executivas), com idades que vão de 20 a 70 anos. A adesão é
gratuita, a partir dos 18 anos. "Quando temos nossos encontros, as
confreiras pagam somente as suas despesas de adesão, como nos jantares
com harmonizações, por exemplo."
Assistente social aposentada, Maria Lúcia conta que os encontros são
enriquecedores, porque, além de desfrutarem do prazer de saborear
vinhos de diferentes vinícolas, nascem novas amizades. "Conhecemos
pessoas com histórias de vida fantásticas. Além disso, o vinho é uma
viagem à cultura, geografia, gastronomia e etiqueta, tudo a ver com o
universo feminino." O único problema, diz, é a balança. "Como os
encontros são semanais, engordei 20 quilos." Na confraria, homem só
entra em ocasiões especiais, como o Dia dos Namorados,
confraternização de fim de ano e Dia Internacional da Mulher. "Para
não ter briga em casa, nossos encontros são sempre às quartas, dia de
assistir ao futebol", brinca.
Por ter invadido um reduto ainda predominantemente masculino, às
vezes, as mulheres engolem sapo entre uma taça e outra de cabernet
sauvignon. "Um amigo deu uma alfinetada, escrevendo no site dele que
perfume não combina com vinho, uma bobagem. Por sinal, ainda persiste
a associação do feminino com vinhos doces, espumantes e prosecco. Eu,
por exemplo, sou fumante e aprecio um bom tinto." Modismos no universo
do vinho, segundo a expert, acontece muito. "No verão deste ano, foi a
vez do rosé, que combina com saladas e pratos leves."
HARMONIZAÇÕES
As mulheres são maioria nas aulas de harmonização de pratos e tipos de
vinhos. Um desses encontros aconteceu em abril, na Cave do Douro,
localizada no The Royal Palm Plaza, em Campinas. A apresentação,
batizada de "Aromas - Degustação - Gastronomia", ficou a cargo de
Daniel Valay, chef executivo do resort. Os participantes (53% do sexo
feminino) acompanharam o preparo de um menu completo, harmonizado com
os melhores rótulos. Na opinião do chef, o interesse feminino por
vinhos não é um modismo passageiro. "Elas querem aprender pratos que
saiam do trivial. Muitas viajam bastante e querem repetir experiências
prazerosas, quando conheceram algum novo rótulo. São bem informadas a
respeito", comenta o chef. Saindo um pouco da enogastronomia, se a
mulher fosse um vinho, qual seria? "Champanhe, sem dúvida."
Nos anos 80, a moda era ter no barzinho uma garrafa do vinho branco
doce Liebfraumilch, simplesmente porque a garrafa era azul. Patricia
E. Bonfim Marchiori, que participou do evento no Royal Palm Plaza de
Campinas, confessa que muitas vezes comprou a bebida pelo rótulo
chique ou bonito, e deu com os burros n?água. "Nem sempre o vinho
combinava com o prato." Conta que o marido sempre apreciou vinho, e
foi no embalo, interessando-se a respeito. "Como sempre gostei de
cozinhar, fazemos reuniões mensais com grupos de amigos."
A paixão pela bebida é tanta que, antes de o casal se mudar para o
atual apartamento, montou uma adega improvisada, em gavetas, para
abrigar os "bebês", como ela chama seus vinhos favoritos. Falando em
favoritos, costuma dizer que o melhor é o que você gosta. "Depende do
prato e da ocasião, mas aprecio um tinto encorpado da uva carmenère."
Longe de serem "enochatos" - personagens em voga atualmente -, o casal
aprecia o vinho por este proporcionar o prazer da boa mesa, novas
amizades e viagens, como a que fizeram ao Sul, conhecendo as vinícolas
Miolo e Valduga.
Ione de Almeida, vice-presidente de uma multinacional de TI
(Tecnologia da Informação), faz parte de um grupo de casais que
organiza harmonizações mensais. "Uma vez, planejei o menu e, no dia
seguinte, recebi um e-mail de um dos convidados dizendo que a comida
estava boa, mas queria mesmo era a lista dos vinhos servidos durante o
jantar." Participa dos cursos promovidos pela Associação Brasileira de
Sommeliers de Campinas e conta que, no começo, há seis anos, a
freqüência feminina era de 10%, saltando para até 50% hoje. Com o
marido, fez viagens inesquecíveis, conhecendo as vinícolas do Chile,
Rio Grande do Sul, Uruguai.
Descendente de italianos, acha que o caso de amor com o vinho pode
estar no DNA. "Minha avó sempre tomou uma taça de vinho tinto por dia,
o Santa Felicidade." Além do prazer de saborear a bebida, lembra as
pesquisas que associam o vinho à longevidade.
SONHO REALIZADO
A engenheira química Rosana Wagner integra um time seleto de enólogas
brasileiras. Com o marido também enólogo, fundou a Vitivícola
Cordilheira de Sant?Ana, na fronteira do Brasil com o Uruguai, um
sonho antigo que o casal colocou em prática assim que se desligou de
uma multinacional de bebidas, onde ambos trabalharam durante mais de
20 anos.
Terroir é uma expressão francesa: designa o conjunto de fatores e
condições de cultivo que são específicas de um vinhedo e influenciam a
qualidade do vinho - uma espécie de pedigree. Segundo Rosana, o
terroir Palomas, onde está localizada a vinícola - com 24 hectares de
vinhedo -, foi escolhido a dedo. "A região de Sant?Ana do Livramento
fica localizada no paralelo 31º, o mesmo de regiões produtoras no
Chile, Argentina, África do Sul e Austrália, países que fazem vinhos
de excelente qualidade." A Cordilheira nasceu em 1999, mas seus
proprietários aguardaram seis anos para lançar os primeiros vinhos,
como os tintos cabernet sauvignon e merlot, e os brancos chardonnay e
gewurztraminer. "Este último seduziu as mulheres, por ser bastante
aromático, lembrando especiarias e lichias."
Profissional respeitada no mercado, hoje tira de letra qualquer
negociação ou reunião, mesmo que seja a única representante do sexo
feminino. Porém, lembra de um incidente ocorrido há mais de 20 anos,
no começo da carreira, quando teve de engolir um comentário machista.
"Durante uma reunião com 30 homens e só 2 mulheres - eu e uma
secretária -, o presidente disse que todos ali deviam ter um objetivo,
mas não entendia o porquê da presença feminina." Hoje, a enóloga
comemora o prêmio que seu Chardonnay 2005 ganhou recentemente na
Expovinis, importante feira do setor.
O vinho até pode ter sido o cupido do casal, mas Rosana admite que, às
vezes, surgem divergências sobre a produção da bebida. Certa vez, por
exemplo, ela achou que o chardonnay estava bom, mas, para ele, tinha
carvalho demais. "Tive de dar o braço a torcer. Diminuímos o carvalho
em 30% e acabamos ganhando o prêmio da Expovinis com esse vinho."
Planos? "Uma cave subterrânea, aproveitando a localização da vinícola,
que fica numa colina; lançar um vinho licoroso e, a longo prazo, um
espumante."
SANGUE ROSÉ NAS VEIAS
Diplomada como sommelier na Suíça, Alexandra Corvo, de 32 anos, da
empresa Ciclo das Vinhas, abriu uma escola em fevereiro deste ano,
tamanha a demanda pelo assunto. "As mulheres representam 2/3 do total
de alunos." Segundo ela, elas são cultas, têm 30 anos ou mais, são
economicamente independentes e apresentam vontade de aprender. Os
cursos de formação duram quatro semanas e incluem degustação, enologia
e características das principais uvas, ou seja, o básico para não
fazer feio diante de uma carta de vinhos.
Além de escrever uma coluna especializada numa revista semanal,
Alexandra tem um programa diário na rádio Band News FM e também
trabalha com eventos e consultoria. Recentemente, foi convidada a
participar da seleta confraria do vinho Periquita, um dos mais
consumidos no Brasil e na Suécia.
Em seu site, uma divertida biografia dá pistas de onde veio o gosto
pela bebida de Baco. "Diz a lenda que um porre de duas garrafas de
Mateus Rosé foi responsável pela minha concepção e de minha irmã
gêmea, Roberta, numa noite quente demais, na linda casinha cheirosa de
forno a lenha de meus avós maternos, na cidade longínqua de
Itararé..." A avó paterna, portuguesa, era chegada num vinho do Porto,
e o pai sempre apreciou bons vinhos. "Assim fica fácil ser sommelier."
Por ofício, vai a festas e eventos, e jura que tenta se conter quando
vê algum garçom estabanado, que não sabe o que está servindo:
- Alguns nem se dão ao trabalho de olhar o rótulo, e acham que tudo o
que borbulha é prosecco. Estudei um tempo na Espanha e trabalhava em
um restaurante. Havia uma rixa entre o pessoal da cozinha e do salão,
onde eu trabalhava. Diziam que os garçons eram simples "leva pratos".
Para não ser chamada assim, perguntava ao chef detalhes do prato que
levava aos clientes, e assim fui aprendendo harmonização na prática",
fala Alexandra, que tem um senhor currículo - montou a adega do
restaurante Figueira Rubayat, e passou pelo DOM, Sabuji, entre outras
casas da cidade.
O seu vinho favorito só tem um porém: o preço um tanto salgado,
confidencia. Trata-se de um tinto dos Vinhedos do Priorato, região da
Catalunha: o Les Terrasses, feito a partir de uvas garnache, cariñena
e cabernet sauvignon, e cuja garrafa custa R$ 100,00.
SABRAGEM
As vinícolas brasileiras que elaboram espumantes costumam fazer a
sabragem (do francês sabreur, aquele que bem maneja ou luta com o
sabre), diante dos turistas que se encantam com a cerimônia. Trata-se
da degola da garrafa de champanhe com um sabre, ritual que dá um
charme todo especial às ocasiões festivas.
Corre a lenda dos sommeliers que a sabragem é uma tradição herdada de
Napoleão Bonaparte. Uma versão romântica conta que saudosos e tomados
pela pressa de namorar suas mulheres, o general e seus soldados
encontraram uma forma mais prática e rápida de abrir as garrafas.
Segundo Carina Cooper, sommelier da vinícola Salton e uma das poucas
mulheres que fazem e ensinam a sabragem, a técnica consiste em segurar
o sabre e, num golpe firme, deslizar a lâmina contra o gargalo da
garrafa, que se rompe, expulsando a rolha. "A alta pressão da bebida
na hora do corte impede que fragmentos de vidro entrem na garrafa. O
champanhe deve ser tomado na hora, porque todo o gás sai da garrafa",
explica. O golpe não tem muito segredo, mas a garrafa jamais pode
estar em temperatura quente, caso contrário, a bebida espirra para
todos os lados.
Carina entrou no métier por acaso, quando, em 1997, integrou uma das
primeiras turmas da Associação Brasileira de Sommeliers. "Sempre
trabalhei em restaurante como gerente de bebidas e alimentos, mas não
imaginava que o vinho seria o meu ganha-pão." Além de seu trabalho
junto à Salton, e das aulas que dá na Faculdade Anhembi-Morumbi e no
Senac, gerencia adegas particulares, algumas com até 4 mil garrafas.
"Catalogo os vinhos e os organizo conforme um critério definido com o
proprietário
Amiga (o).
A Confraria Amigas do Vinho
tem grandes e leais incentivadores.
No "esboço" da nossa
confraria, quem subsidiou com informações frutíferas, foi a
nossa amiga e confreira, Sonia Melier - ela tem uma coluna
sobre vinhos no site
www.bolsademulher.com.br
Através dessas informações,
a confraria começou a se organizar (2003). E hoje, com muito
orgulho temos outra matéria
http://www.bolsademulher.com/estilo/materia/o_sexo_do_vinho/14323/1 citando
e apoiando a nossa Confraria Amigas do Vinho.
A Confraria Amigas do Vinho
sempre se sentirá honrada, quando reconhecida e
divulgada por profissionais isentos de vaidades e que
respeitam a nossa filosofia "No céu cabem todas as estrelas"
e comungam com os nossos propósitos: aproximar a mulher do
vinho de forma lúdica, descontraída e educativa.
 AS MARAVILHAS DA UVA
Nura Slides
Arquivo em Power Point
CLIQUE AQUI
--------------------------------------------------------------------------- EDIÇÃO DO JORNAL VINHO E CIA
Setembro de 2006
Arquivo em PDF

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Amigas do Vinho reúnem descontração e solidariedade em Botafogo


Uma noite de alegria e solidariedade, assim foi a festa que marcou o lançamento da logotipo da Confraria Amigas do Vinho, no vinho Cabernet Franc - Don Giovanni. O evento que reuniu aproximadamente 50 pessoas aconteceu no restaurante I Piatti, que faz parte do Pólo Gastronômico de Botafogo.
A comemoração teve um aspecto social. Uma porcentagem da comissão das vendas do vinho com a logo da confraria foi convertida em doações para a ONG ABORDA - Associação Brasileira de Redução de Danos. A entidade trabalha voluntariamente auxiliando pessoas que utilizam excessivamente substâncias que podem causar danos, como álcool. A psicóloga Sabine Cavalcante, amiga e também associada comemorou a escolha da ABORDA para receber esse gesto de solidariedade.
- Genial! A proposta do movimento de redução de danos não prega a abstinência, mas sim, que as pessoas sejam maduras para lidar com as substâncias. A confraria é um símbolo disso mostrando que ingerir álcool pode ser prazeroso, mas não excessivamente. O problema não é a substância, mas a relação que você desenvolve com ela.
O representante da vinícola Don Giovanni lembra que a idéia da criação desse vinho surgiu durante um encontro da confraria no ano de 2005. Giorgio Biban conta que a escolha do Cabernet Franc foi provocada pela excelente aceitação entre o público feminino presente na noite daquele evento.
- De 4 vinhos apresentados, o preferido das mulheres foi o Cabernet Franc. A presidente da Confraria Amigas do Vinho, Maria Lucia Rodrigues, idealizou a criação de uma garrafa personalizada com a logo do grupo e nós estudamos a viabilização do projeto, que finalmente está sendo possível. A tiragem inicial foi de 600 garrafas, vendidas apenas para a confraria. Não disponibilizamos em outros pontos de venda. Quem quiser comprar deve entrar no site www.amigasdovinho.com.br
Durante a festa, a presidente da confraria anunciou mudanças na vice-presidência do grupo. Sai a representante comercial Jaqueline Barroso e entra a professora de português e literatura, Jô Sodré.
- Estamos trocando um brilhante por outro. A Jaqueline está saindo para se dedicar mais ao trabalho e à família. A participação dela foi muito importante durante esses três anos de confraria quando éramos apenas 18 mulheres. Agora somos 1.300 em todo país. Tenho certeza que Jô Sodré entra para o grupo com a mesma determinação e que vai continuar esse trabalho de aproximar a mulher do vinho de forma lúdica e descontraída, explicou Maria Lúcia Rodrigues.
A festa foi animada com músicas das décadas de 70 e 80 e teve participação especial de uma das integrantes da confraria, a cientista social Cíntia Rodrigues que cantou de samba a rock internacional, contagiando os presentes. O vinho foi harmonizado com delicioso buffet do restaurante I Piatti e com finos folhados e salgados fornecidos pela empresa Voulez-vous, representada no evento pela gerente de vendas Rosane Sacchetto e Joyce Maciel. Definitivamente, uma noite para entrar para a história da confraria.

Renata Busch
contato@guiadebotafogo.com.br
JORNAL "O GLOBO"

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Leiam nosso depoimento na entrevista concedida à Revista Criativa (abril/05)
Seção: CARREIRA

A safra feminina

texto: Beatriz Portugal
foto: Iara Venanzi
Nos restaurantes e distribuidores de vinhos do país, mulheres começam a exercer a função de sommelier, carreira ainda nova no Brasil e dominada por homens
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A bela e os vinhos: Patrícia é sommelier há quatro anos e diz que já sofreu preconceito |
O mundo dos vinhos já foi território exclusivo dos homens: eles produziam, escolhiam, recomendavam e opinavam sobre a bebida. Mas as mulheres estão conquistando seu espaço. Uma pesquisa feita pela Diageo, um dos maiores fabricantes mundiais de bebidas, mostra que 65% dos consumidores de vinho no Brasil são mulheres. E é de apreciadoras que elas estão passando para postos-chaves no mercado vinícola: produtoras, enólogas, jornalistas especializadas e sommeliers. Segundo dados da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), nos últimos cinco anos houve um aumento de 250% na procura feminina pelo curso de formação dessa atividade, que dura quatro anos. O perfil das alunas mudou: elas iam acompanhando os maridos, e agora vão sozinhas, por interesse próprio.
'O sommelier é o maître de vinhos de um restaurante', define Fernando Miranda, professor de gastronomia da Universidade Estácio de Sá e de degustação de vinhos da ABS, no Rio de Janeiro. É esse profissional que elabora a carta de vinhos, pesquisa preços e safras, seleciona e compra a bebida, organiza a adega, atende os clientes e orienta sobre qual combina com o prato escolhido. 'Na Europa, é expressivo o número de restaurantes que contam com um sommelier, pois lá é uma profissão reconhecida. No Brasil, é relativamente nova.'
No exterior, o mercado vinícola de fato é bem diferente - e faz tempo que mulheres se destacam em carreiras ligadas a ele. A americana Madeline Triffon foi a primeira mulher a obter, em 1987, o título máximo de Master Sommelier, criado em 1969 na Inglaterra. May-Eliane de Lencquesaing é a diretora-proprietária do conhecido Chateau Pichon Longueville, na França. Já a jornalista inglesa Jancis Robinson, quando escreve uma crítica de um vinho, tem o poder de influenciar fortemente suas vendas. 'A enologia e a gastronomia exigem sensibilidades relacionadas aos campos do olfato e do paladar, que independem do sexo', opina Maria Lúcia da Costa Rodrigues, fundadora da confraria Amigas do Vinho, um grupo formado apenas por mulheres apreciadoras da bebida. 'Existem técnicas que fazem parte de um aprendizado, acessível a qualquer pessoa, seja homem ou mulher.'
Mesmo que ainda sejam poucas, por aqui já é possível ver mulheres selecionando e aconselhando a clientela sobre vinhos em restaurantes, distribuidoras e nas grandes importadoras. Aos 28 anos, Patrícia Nascimento atua há quatro como sommelier de um dos mais renomados restaurantes de São Paulo, o La Tambouille. De família italiana, Patrícia sempre teve contato com vinho. Mas só aos 23 anos foi estudar o assunto. Na época, trabalhava na parte comercial de uma importadora e começou a ler sobre a bebida e a participar de degustações. Também fez cursos especializados, como o ministrado por Elídio Lopes Cavalcanti, da Terroir Importadora, um dos mais conceituados especialistas do país. Acabou conhecendo o dono do La Tambouille, que a convidou para dividir com outro funcionário as funções de sommelier.
N o começo, ela diz que sofreu certo preconceito. Lembra, por exemplo, de um cliente que quis testá-la. 'Vamos ver se você sabe mesmo de vinhos', provocou. 'Qual é o melhor na sua opinião?' A resposta veio rápida. 'Eu disse que vinho é igual a perfume: cada um tem um gosto. E falei que para mim o melhor é o que se harmoniza com a comida do momento.' O desafiante terminou meio sem graça, dando os parabéns à moça. 'Ele confessou que achou que eu iria dizer o nome do vinho mais caro do restaurante', conta.
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'O PRECONCEITO HISTÓRICO E CULTURAL
[CONTRA AS MULHERES] TEM QUE ACABAR'
Manuel Beato, sommelier do Grupo Fasano
Lívia Franco Armani, de 25 anos, sommelier da Gran Vin, importadora de vinhos em São Paulo, passou por uma situação pior. 'O dono de um restaurante paulistano de alto escalão, que era até meu amigo, disse que apesar de eu ter bastante conhecimento não me contrataria como sommelier porque não aceitava mulheres trabalhando com vinho no estabelecimento dele.' Lívia ressalta que esse lado ruim da 'tradição' que reina no mundo dos vinhos existe também fora do Brasil. Ela passou cinco meses em um château na França e lá não era permitida a participação de mulheres menstruadas no processo. Acredita-se que nesse período elas podem azedar a bebida e estragar toda a safra.
'O preconceito histórico e cultural tem que acabar, pois o ambiente até muda com a presença feminina. Sou a favor de mulheres no salão e luto por isso', afirma, enfático, o renomado sommelier Manuel Beato, do grupo Fasano. Beato já treinou várias mulheres e diz que elas têm algumas vantagens em relação aos homens. São mais dedicadas, mais cuidadosas e mais rápidas para aprender. 'Acho que são mais abertas e, por isso, costumam ter uma abrangência cultural maior, o que é muito importante para um sommelier.'
É o caso de Alexandra Corvo, de 29 anos. Aos 16 ela foi trabalhar como garçonete - e logo se interessou por vinhos. Aos 19, viajou para a Espanha, de onde voltou apaixonada pela história da bebida. 'Como eu falava inglês e espanhol, na volta consegui um emprego de maître', conta. Passados dois anos, Alexandra embarcou de novo para a Espanha, dessa vez para estudar hotelaria. De lá, seguiu para uma especialização em vinhos na Suíça e descobriu que queria fazer carreira nisso. Foi à luta e atuou como sommelier em vários bons restaurante paulistanos, como o Baby Beef Rubaiyat e A Figueira. Hoje comanda a consultoria Ciclo das Vinhas e dá aulas e palestras sobre vinho. 'O tempo de trabalho com clientes em restaurantes permitiu que eu compreendesse o perfil do consumidor brasileiro. Agora posso atendê-lo de forma particular.'
A profissão tem aura sofisticada e o charme de estar relacionada a sabores e culturas de vários lugares. 'Mas é uma carreira muito puxada', avisa Patrícia, que trabalha até tarde da noite todo dia, inclusive nos fins de semana e feriados. Só tem folga um domingo por mês. 'Acabo perdendo todas as festinhas de aniversário dos sobrinhos e a família reclama.' O professor Fernando Miranda ressalta que é um trabalho fisicamente pesado, pois o sommelier precisa carregar caixas e arrumar a adega. E os salários não são proporcionais à imagem glamourosa do cargo. Quem está começando ganha, em média, de R$ 600 a R$ 800.
Produção: Cléia Barros/Fotos feitas na Enoteca Fasano, em São Paulo |
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Amigas, Larousse, portugueses e vapores
Sonia Melier
* O
grupo "Amigas do Vinho" acaba de completar um ano, com mais de 100
associadas em todo o País. Promovem degustações, palestras -
sempre guiadas por profissionais. Essas associações são
importantes no mundo dos vinhos. No Brasil, ainda contam-se pelos
dedos, mas em todo o mundo respondem por 5% das vendas de todo o
vinho engarrafado. Só na Austrália, 10% do vinho consumido no país
se originam desses clubes. O grupo é liderado pela Maria Lúcia
Costa Rodrigues e tem base no Rio de Janeiro. Visitem seu site:
www.mastersite.com.br/amigasdovinho.*
Reserve já o seu "Larousse do vinho", importante trabalho de
referência que, finalmente, chega às nossas livrarias este mês.
Não se trata de uma simples tradução do famoso "Larousse des vins".
O seu conteúdo foi atualizado e enriquecido por pesquisas locais
por uma competente equipe brasileira que incluiu o Mário Telles,
presidente da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS), o Carlos
Cabral, fundados da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (SBAV)
e o Arthur Azevedo, vice-presidente da ABS, São Paulo.
A
versão brasileira vem com 384 páginas, incluindo capítulos
especiais sobre o vinho no Brasil, Chile e Argentina. O livro
divide-se em três partes. "Descobrir o vinho" é a primeira: inicia
o leitor ao universo do vinho, sua história, como é feito,
conservado, servido, degustado e harmonizado com a cozinha.
"Vinhedos do mundo" é a segunda, apresentando as regiões vinícolas
mais importantes do mundo. "Referências" é a terceira parte da
obra, com fatos, estatísticas, glossários de termos especializados
e tabelas com as principais safras. O livro é ricamente ilustrado
e ainda oferece um índice que facilita a pesquisa por nomes de
vinhos ou regiões.
*
Uma missão de sete importantes produtores portugueses está no
Brasil para apresentar seus vinhos, ainda não comercializados
aqui. Já visitou São Paulo e Curitiba. Almoçará no Rio, amanhã,
com críticos e importadores, quando apresentará mais de 25 vinhos
de várias regiões. Os produtores fazem parte da Fenadegas
(Federação Nacional das Adegas Cooperativas, FCRL), que representa
cerca de 50% da produção total de vinho português e 77% da sua
produção cooperativa. Num importante encontro em Madri, a Academia
Espanhola de Gastronomia colocou alguns vinhos portugueses entre
os melhores do mundo. Vem coisa boa, muito boa por aí. É só
esperar um tantinho.
*
Álcool vaporizado. Isso mesmo: inventaram um máquina para você
cheirar a bebida em vez de bebê-la. O novo brinquedo foi testado
"com sucesso" em Bristol, Inglaterra. E agora chega a um clube
noturno de Nova York. A máquina transforma destilados, como uísque
e gin num spray. Os consumidores colocam uma máscara especial para
"ingerir" o vapor. O fabricante diz que a máquina reduz calorias e
os efeitos da ressaca. Mas não era melhor criar algo mais sério,
como fizeram as "Amigas do Vinho"? Não sei em que escala de
idiotice coloco essa máquina (e seus usuários).
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Venha a nós o vosso vinho
Mulheres criam confrarias para degustar a
bebida
Luciano Ribeiro
Jorge Cecílio
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As Deusas do Vinho, reunidas este ano,
discutem a bebida e falam frivolidades
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No dia 13 de setembro, cerca de 30 mulheres vão
ocupar seis mesas do Garcia & Rodrigues, no Leblon, em plena
segunda-feira. Executivas, profissionais liberais, analistas de
sistemas e empresárias, com idades entre 25 e 40 anos, passarão
algumas horas discutindo o assunto que desde abril tornou-se
prioridade nas suas rodas de conversa: o vinho.
Batizado de Confraria de Vinho das Mulheres,
o grupo comenta assuntos que, até pouco tempo, eram
exclusivamente masculinos. Cor da bebida, principais regiões,
melhores uvas, como entender os rótulos são questões postas à
mesa pelo animado grupo de saias.
- Gostamos de beber e conversar sobre coisas
corriqueiras. Aprendemos e nos divertimos. Mas homem não entra -
decreta a empresária Sónia Campos, presente nas duas últimas
reuniões da CVM.
Nesta seara há espaço para outros grupos,
como o recente Deusas do Vinho, com 15 integrantes, e o mais
antigo deles, o precursor Amigas do Vinho, criado há um ano, que
já soma mais de 100 entusiastas, entre 19 e 60 anos.
- As mulheres possuem um talento raro para avaliar as
bebidas. Têm sensibilidade desenvolvida e condições para detectar
sutilezas - avalia Marcos Lima, sommelier da pousada-restaurante Locanda
Della Mimosa, em Petrópolis, e um dos principais incentivadores das Amigas
do Vinho.
A confraria foi fundada pela assistente social Maria
Lúcia Rodrigues, 51 anos, que cravou no dia 2 de agosto de 2003 a primeira
reunião oficial. Cerca de 30 mulheres seguiram até o restaurante New
Garden, em Ipanema, para degustar, conversar e discutir tintos, brancos e
espumantes. Desde então o grupo quadriplicou, ganhou ramificações em
cidades como São Paulo, Salvador e João Pessoa e um site bem organizado, o
{ www.mastersite.com.br/amigasdovinho}.
Elas realizam dois encontros com periodicidade definida. O primeiro,
chamado grupo de estudo, acontece de 15 em 15 dias em restaurantes
cariocas. O segundo, bimestral, é festivo, e pode ser, por exemplo,
agendado para comemorar os aniversários do mês. Tudo regado a garrafas
compradas pelas participantes. Maria Lúcia diz que, durante um ano, já viu
muito preconceito, e enumera:
- Quando peço a carta, o garçom ou sommelier tenta me
empurrar o vinho mais caro da casa. Se estou só com mulheres, servem a
bebida fora da temperatura, em copos errados. Nunca abrem as garrafas da
maneira correta e acham ainda que a gente pede vinho porque está
friozinho, e não por ser a nossa bebida favorita. Isso ainda vai demorar
muito tempo para acabar.
Mais nova, a Confraria de Vinho das Mulheres realizou,
desde abril, cinco reuniões. Muitas vezes os encontros são orientados
pelas próprias confrades, como a sommelier francesa Hélène Wevers, que
tece comparações.
- Há muitas diferenças. Acho que somos menos técnicas,
mais ligadas aos sentimentos que o vinho provoca. Homem gosta de rótulos,
de coisas específicas. Também está comprovado que temos mais sensibilidade
para identificar aromas e sabores - afirma Hélène.
Atualmente é comum encontrar mulheres em postos-chaves
no mercado vinícola. No jornalismo, a avaliação de críticas como as
inglesas Jancis Robinson e Joanna Simon influenciam os preços que as
garrafas terão nas prateleiras. Na elaboração de vinhos, é cada vez mais
notório o espaço ocupado pelo sexo feminino. Recentemente a enóloga
Cecilia Torres ofereceu para a imprensa especializada um almoço no
Cipriani, restaurante do Copacabana Palace, para mostrar os bons rótulos
da Santa Rita, segunda maior vinícola do Chile.
- Esse mundo pode já ter sido território exclusivamente
masculino, mas não é mais. As mulheres estão por toda parte, e são
excepcionais - elogia Celio Alzer, professor da Associação Brasileira de
Sommeliers (ABS).
Para o grupo As Deusas do Vinho, que foi criado este
ano e se reúne quinzenalmente no restaurante Peixe Vivo, em Copacabana, a
bebida é um ótimo pretexto para que se discuta de economia a frivolidades.
Ao todo são 15 representantes, mas o grupo espera chegar a cem até o fim
do ano.
- Não há experts, nem a intenção de se formar
sommeliers em nossas reuniões. Gostamos de estudar o assunto, mas estamos
apenas começando. A procura aumenta a cada encontro - diz a designer Ana
Larqué, fundadora da confraria.
Primeira sommelier do Brasil, Deise Novakoski, 40 anos,
ganhou o diploma da ABS há duas décadas das mãos de Danio Braga, um dos
mais respeitados chefs e enófilos do país. De segunda a sexta-feira, ela
serve, conversa e tira dúvidas dos clientes do Eça, restaurante da loja
H.Stern, no Centro. Deise encontra poucas mulheres em meio aos executivos
que freqüentam a casa. Mas acredita que os tempos estão mudando:
- Já foi pior quando eu era iniciante. Meu primeiro
emprego na área foi num restaurante comandado por duas mulheres, o
Quadrifoglio. Hoje não vejo tanto preconceito - conclui.
JORNAL DO BRASIL - 22/08/2004
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Imagem: Fabio
Braga

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As
associações ou clubes de vinho exclusivamente femininos
contam-se pelos dedos. Praticamente não existiam, mas, de
repente, eles estão se formando e já fazendo marola. Associações
de mulheres existem para todos os gostos, inclusive uma assumida
“Associação das Mulheres Encalhadas Mesmo!!!” (veja o blog
delas, o AMEM).
Na verdade, as mulheres estão é desencalhando, tirando o pé da
lama e ocupando todos os espaços possíveis, em todo o mundo, em
todas as atividades. E a fortaleza dos vinhos, tradicionalmente
governada pelos homens, começa a ser ocupada também por mulheres
- lá fora e aqui. No Brasil, já consegui anotar as seguintes
confrarias:
Associação das Mulheres Amigas do Vinho (AMAVI), dirigida pela
Nicole Thomé, em Garibaldi, Rio Grande do Sul (Rua Luis Rogério
Casacurto, 510);
Amigas do Vinho, liderada pela Maria Lúcia da Costa Rodrigues,
com base no Rio de Janeiro (amigasdovinho@uol.com.br
ou www.mastersite.com.br/amigasdovinho);
A
1ª. Confraria da Montanha - Mulheres Enófilas, que reúne empresárias
de Campos do Jordão, SP (contatos com Márcia de Azevedo marcia.azevedo@imk.com.br
ou Cynthia May Richard - cynthia@imk.com.br);
As
confrarias do Champagne, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, a do
Champagne Madame Pompadour, de São Paulo, SP, e a L’Arte Del
Vino, de Flores da Cunha, Rio Grande do Sul, têm mulheres na sua
direção (respectivamente Cássia Henrich, Núbia Talarico de
Camargo e Eleida Soldatelli Mioranza).
Mas
não sei se são clubes exclusivamente femininos ou mistos. A mais nova
delas é a Confraria das Amigas do Vinho da Paraíba, presidida pela
Messina Palmeira Dias, lá de João Pessoa (http://www.murqueira.com/html/confrariaparaiba.htm
ou conavipb@yahoo.com).
Pode parecer estranho a existência de uma confraria de vinhos na Paraíba.
Não importa se apenas de mulheres, lá no quente e seco Nordeste, num
clima aparentemente desfavorável para os vinhos. Parece, mas não é. Um
dos maiores mestres de vinho do mundo é uma mulher: a inglesa Jancis
Robinson, que ano passado recebeu a Ordem do Império Britânico das mãos
da rainha Elizabeth, premiando tudo o que vem fazendo pela divulgação do
vinho.
Jancis esteve pela primeira vez no Brasil, em novembro. Dos vinhos que
provou, em São Paulo, o que ela destacou foi um produzido no Vale do São
Francisco, em Pernambuco. Esse vinho é o “Rio Red”, um blend de Syrah
com Cabernet Sauvignon. Já tem comprador no mercado inglês.
Os vinhos do Vale do São Francisco são resultado de avanços na área da
refrigeração e irrigação e, mais, de severo controle sobre como e
quando as vinhas devem se desenvolver. É a tecnologia que está
permitindo vinhos de qualidade em regiões que há pouco tempo se pensava
imprestáveis para a viticultura. A própria Jancis adiantou que terá que
rever o seu famoso Atlas do Vinho, com relação a essas novas áreas viníferas.
Nossas Amigas do Vinho da Paraíba estão, portanto, bem mais perto da
fonte do bom vinho do que nós aqui do sudeste. Não perderam tempo e estão
criando sinergia com essa nova e maravilhosa fonte de divisas para a região
e para o país.
Os clubes de vinho, confrarias e associações como essas formam um
segmento importante no mundo dos vinhos: são genericamente classificados
como “Clubes de Vinho”. Formam-se normalmente em torno do desejo de
saber mais sobre vinhos e segmentam-se. Existem associações dedicadas ao
vinho do Porto, à Zinfandel, Chardonnay, aos vinhos italianos, franceses
etc. E existem aquelas interessadas em saber de tudo um pouco.
Começam exatamente como esses das Amigas do Vinho. Com o tempo, podem
tornar-se importantes peças na rede de distribuição e venda da bebida
– isso sem contar seu valor educacional e social. Estima-se que os
clubes de vinho sejam responsáveis pela venda de pelo menos 5% de todo o
vinho engarrafado no mundo. Seus associados têm a vantagem de comprar
vinho mais barato do que nas lojas especializadas e nos supermercados.
Na Austrália, 10% do vinho consumido no país se originam desses clubes.
Um deles, o Cellarmasters, fundado em 1982, vende 1.200 mil caixas de
vinhos por ano (6% do mercado australiano) para os seus 400 mil
associados. Transformou-se num atacadista de vinho operando por meio de
cartões de crédito. As vantagens chegam aos restaurantes também: quem não
vai dar desconto a um cliente capaz de ocupar todas as mesas da casa? As
listas de vinhos vão se adequar às demandas dos clubes, em qualidade e
preço.
As dicas da American Society, dos clubes, das associações e confrarias
giram, basicamente, em torno da degustação de vinhos. Os associados reúnem-se
para provar vinhos e debater sobre o que apreciaram. É assim que vão
aprendendo. Algumas associações existem há dezenas de anos. Com sede em
Durham, Carolina do Norte, a American Wine Society (AWS) existe há mais
de 30 anos e promove uma grande conferência nacional por ano com objetivo
de degustar vinhos – além de jantares, degustações especiais, viagens
a regiões viníferas, competições, bailes, conferências nacionais,
seminários e conferências. Não desenvolve atividade comercial (isto é:
venda de vinhos para os associados). Eis suas dicas:
1. Não é necessário convidar profissionais para orientar uma degustação.
A confraria indica um de seus membros para realizar uma palestra em cada
encontro do grupo. Essa pessoa escolhe o tema, seleciona os vinhos a serem
provados e faz circular um comentário sobre os vinhos baseados em sua
pesquisa. Vez por outra chamam um profissional do mercado para orientar
uma degustação.
2. O ideal é uma associação com 30 a 40 membros. A AWS acredita que 40
pessoas é o máximo que uma casa de tamanho médio possa acomodar
confortavelmente para uma degustação. Abaixo de 30 pessoas, coloca o
clube em dificuldades (pelas questões de mensalidade, o teto necessário
para comprar vinhos etc.). O clube deve sempre considerar faltas temporárias
(doenças, viagens, trabalho) ou permanentes (desinteresse, mudança para
outra cidade etc.) e procurar manter o número de associados sempre em
torno dos 40. É necessário fazer um rodízio das casas onde as degustações
serão realizadas. Uma degustação significa muito trabalho para a dona
ou o dono da casa. Uma vez por ano está de bom tamanho. Além disso, um
bom clube tem de contar com a divisão de tarefas. Alguém para pegar e
entregar os vinhos, alguém para fazer as palestras e alguém para
produzir o resumo, o boletim do evento: os vinhos degustados; os comentários
ou as notas que tiveram; as conclusões do grupo etc. Nem todos terão o
mesmo tempo e energia para contribuir ou o espaço necessário para
receber em casa seus colegas de confraria. Mas é importante que todos
estejam envolvidos nos eventos de alguma maneira. Alguns clubes acabaram
porque apenas uns poucos associados trabalhavam enquanto os outros
flanavam.
3. Estabeleça um sistema de notas para os vinhos provados. Nem todos os
associados se sentirão confortáveis em comentar sobre sabores e aromas.
Mas acharão muito mais fácil lidar com um placar numérico para o que
degustarem. O sistema de pontuação lhes dará uma voz na reunião, a
certeza de que estão participando, de que são importantes. Nas reuniões
da AWS as notas são dadas mostrando-se as mãos, utilizando-se uma escala
de zero a vinte (que, por sinal, é a escala utilizada pela Jancis
Robinson), muito mais fácil do que a de zero a cem.
4. Produza um boletim. Algo simples e objetivo, que registre a reunião
passada (que vinhos foram provados, que notas tiveram, reforçando o
aspecto que a participação de cada associado é importante) e que
contenha uma prévia da próxima degustação, que aguce o interesse das
associadas, sem entrar em detalhes.
5. Mantenha a degustação em seis vinhos, com um intervalo de queijos e
torradinhas após os primeiros três. Um membro é escolhido para fazer um
comentário sobre cada um dos seis vinhos em degustação. Na American
Wine Society esses eventos duram de duas a três horas, incluindo aí 25
minutos de intervalo para os queijos e torradas (na verdade serão dois
intervalos: um a cada três vinhos). Uma boa idéia é conseguir um
conhecedor de queijos (não necessariamente membro do clube) para falar
sobre a seleção escolhida, antes dos intervalos.
6. Compre bons vinhos. Pois são apenas seis os vinhos selecionados para
degustação. É errado comprar vinhos baratos para reduzir custos.
Afinal, as pessoas estão numa confraria de vinhos justamente para poder
provar aqueles rótulos que não podem normalmente tomar no seu dia-a-dia.
A AWS normalmente compra três garrafas para cada vinho a ser provado.
Como são seis vinhos, teremos 18 garrafas. Os vinhos custam entre 25 e 40
dólares (78 e 124 reais). Fazendo a conta pela média, cada garrafa
custará 32,5 dólares ou 102 reais. O total das 18 garrafas sairá por R$
1.836,00. Se cada um dos 40 associados contribuir com R$ 60,00, a degustação
dará para pagar os vinhos, os queijos e as torradinhas com folgas. Atenção:
cada associado terá direito a 1/3 de taça por vinho provado (60 ml). No
final, terá consumido 360 ml de vinho, praticamente meia garrafa. Nada
mal, considerando-se que estamos falando de uma degustação e não
necessariamente de uma festa.
Assim, amigas, não esperem muito para associar-se a um clube. As Amigas
do Vinho da Paraíba querem “partilhar informações, opiniões e sensações
proporcionados pelo vinho ... sem a presença, às vezes, inoportuna de
seus maridos”. Não, não querem promover também a guerra entre os
sexos. Com bom humor, buscam personalizar o seu interesse, pois sabem que
os homens são muito, muito espaçosos. De qualquer maneira as Luluzinhas
sempre conseguiram se entender com os Bolinhas.
Se você quiser mais informações sobre confrarias e clubes de vinho é só
clicar aqui para o Bolsa de Mulher ou para a Soninha (soniamelier@soniamelier.com.br).

Foi-se
os tempos em que o vinho era território predominantemente
masculino. Através de estudos, pesquisas e bom gosto, as mulheres formam
um grupo crescente na arte de apreciar a bebida de Baco.
Um
exemplo é o grupo Amigas do Vinho. Virtual, o grupo também
realiza encontros pessoais é destinado a mulheres que apreciam degustar
um bom vinho e bater papo descontraído. Foi fundado em agosto de 2003, no
Rio de Janeiro, e conta atualmente com 110 associadas de todo o país, de
diversas profissões. Homens também podem participar, desde que indicados
por uma associada.
O
grupo é totalmente gratuito e todas as informações passadas para as
associadas não têm caráter lucrativo.
Através
do site , é mantido um fórum de discussão para agregar informação e
conhecimento sobre o vinho.
Um
diferencial do grupo é não trabalhar com patrocinadores. A fundadora do
grupo, Maria Lúcia Rodrigues, explica o motivo: “nossa intenção é
viajar no mundo do vinho e da harmonização com a gastronomia sem ter que
ser fiel à nenhuma vinícola.”
Como tudo começou
A idéia de estudar o mundo do vinho surgiu com a aposentadoria de Maria
Lúcia. “Todas as programações eram direcionadas para
os jovens, então resolvi estudar e conhecer melhor o vinho.”
O primeiro passo foi fazer sua inscrição no fórum da ABS/RJ e
frequentar as degustações, aprendendo sobre copos finos, de tamanhos
diferentes. “ Embora tenha sido criada entre primos, tios e empregados
do meu avô, ficava encucada por que as mulheres não bebiam
vinho? Por que quando eu pedia um vinho no restaurante, o garçom oferecia
ao meu parceiro a taça primeiro (para aprovação) e não a mim que havia
feito o pedido?” Nos grupos percebeu a alta participação dos
homens, às vezes desconfiados, e então resolveu abrir um grupo só para
mulheres. Foi, segundo ela, um longo caminho e muita discriminação
por parte dos homens. “Somente os representantes das vinícolas se
interessavam , porque queriam vender”.
Consultas a bibliotecas e internet levaram à formação do "Amigas
do Vinho". Hoje são quatro grupos femininos relacionados ao
mundo do vinho, regionais: I Confraria de Mulheres Enófilas de São
Paulo; Confraria de Espumantes de São Paulo; Associação de
Mulheres Enófilas no RS/Bento Gonçalves e mais um grupo na Paraíba.
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