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PERFIL DA ASSOCIADA KELLY BRUCH Amor à primeira taça, assim é que a advogada Kelly Bruch define sua relação com essa bebida que há milênios encanta a humanidade. Especializada em direito vitivinícola, essa paranaense nascida em Novo Sarandi tem o privilégio raro de unir trabalho e paixão. Nessa mini-entrevista para o Perfil da Amiga, ela fala sobre sua tese de mestrado e revela qual o seu vinho favorito. 1- Você é advogada e trabalha com direito do vinho. Por que a escolha dessa especialização? Na verdade eu tive mais sorte ainda: fui escolhida! Eu fazia mestrado em agronegócios (que já concluí) na UFRGS e dentro do meu centro de pesquisa estavam desenvolvendo o projeto Visão Estratégica 2025 do Setor Vitivinícola. Fui convidada então a participar do projeto para coordenar a área de legislação e tributos. Bem, conheci o setor, o Ibravin, e foi amor à primeira vista. Trabalhar com este tema é apaixonante. O que me admira é que ninguém tenha pensado nisso por aqui até então. 2- Atualmente você está terminando a sua tese de doutorado. Qual o tema escolhido? Eu estou trabalhando com a construção de uma estrutura legislativa para as Indicações Geográficas Brasileiras, especialmente voltada para o setor vitivinícola. O que temos percebido é que a atual legislação apresenta muitas lacunas e inúmeras contradições. A finalidade da tese é, verificando o direito comparado nos principais países vitivinícolas do velho mundo (França, Espanha, Portugal, Itália e Alemanha) e do novo mundo vitivinícola (Chile, Argentina, Uruguai, Austrália e EUA), construir uma estrutura que seja adequada e condizendo com a nossa realidade. E não uma cópia estrangeira. 3- Na sua opinião, o que precisa melhorar nas leis brasileiras no que tange às questões vitivinícolas? Temos melhorado muito na verdade. Há algum tempo o setor se dispõe a enfrentar seriamente as questões que lhe dizem respeito, inclusive no que tange às leis brasileiras. No momento estamos trabalhando na construção de um decreto que regulamente a lei do vinho (alterada em dezembro de 2004 para se harmonizar com o Regulamento Vitivinícola do Mercosul) para se adaptar às alterações trazidas por esta, bem como para abarcar as novas realidades que se apresentam, buscando também corrigir falhas antigas que permitiram, por meio de brechas legais, a produção de produtos que denigrem a imagem do setor e infelizmente levam a erro o consumidor (até o mais atento). Desta maneira, entendo que o que precisamos no momento é dar uma séria continuidade as trabalhos iniciados, discutindo com profundidade, mas também com rapidez, o referido decreto, bem como nos agilizando para buscar o estabelecimento dos padrões de identidade e qualidade de todos os derivados da uva e do vinho e, umas das questões mais importantes, buscando mecanismos simples e eficientes que garantam a adequada fiscalização tanto de vinhos nacionais quando de vinhos importados, e o combate ao descaminho. 4- Qual a sua função no Instituto Brasileiro do Vinho- IBRAVIN? Sou consultora jurídica do IBRAVIN, atuando nas áreas de direito econômico, direito comercial, direito internacional econômico, comércio exterior, bem como trabalhando em todas as questões preventivas que tangenciam a atuação do IBRAVIN, tais como o acompanhamento da tramitação de leis no âmbito federal e estadual, bem como o auxílio na discussão destas questões no âmbito do Setor Vitivinícola. 5- Como surgiu seu interesse pelo mundo dos vinhos? Com a primeira taça! Bem, sou de uma região e imigrantes localizada no oeste do Paraná, onde, embora de descendência alemã, sempre convivemos com os italianos que, por onde passam, cultivam suas videiras e produzem os seus vinhos. Desde criança tomávamos "suco de vinho", depois um vinho suave de mesa, daí um vinho seco de mesa e por fim, quando cheguei ao Rio Grande do Sul, conheci o mundo dos vinhos finos, em especial os espumantes. E depois da primeira taça, não há como não se apaixonar... 6- Você é casada/ tem filhos? Não, nem casada nem tenho filhos. 7- Seu lazer favorito nas horas vagas? Gosto muito de um bom livro (acabo de ler o Julgamento de Paris, de George M. Taber, que recomendo), sou viciada em cinema - em especial os italianos e, como não poderia deixar de ser, aprecio uma boa conversa acompanhada de bons amigos, boa comida e bons vinhos. 8- Uma única taça, ela seria de qual vinho? Um espumante moscatel da Velha Cantina de Farropilha, RS. Provei ele recentemente na comemoração do dia estadual do vinho. Estava acompanhada de um colega italiano, que ficou tão encantado quanto eu com o referido espumante. Mesmo para quem não aprecia um moscatel, este vale a pena ser saboreado. 9- A quem você faria um brinde? Eu faria um brinde à vida e à oportunidade maravilhosa e única que esta nos proporciona de conhecer. 10- Deixe seu recado para a confraria Amigas do Vinho. Estou apreciando muito a oportunidade de ter contato e trocar impressões e informações com as confreiras. Espero que este contato se intensifique, prolongue-se no tempo e traga bons frutos, em especial a todos que apreciam o vinho. Segundo citação que se atribui a Platão "Nunca os deuses deram ao homem nada melhor ou mais valioso que o vinho." Que possamos, com a humildade necessária e o comedimento devido, apreciar este tesouro que nos foi dadivado! « RETORNAR |